Meditações

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Siga o Mestre

Ele quer
1° de fevereiro

Se o Senhor quiser, pode curar-me. Marcos 1 :40, Nova Bíblia Viva

Albert Einstein disse certa vez: “Há uma força motriz mais poderosa que o vapor, a eletricidade e a energia atômica: a vontade.” Se isso é verdade para o ser o hu­mano, imagine para Deus. Quando Deus quer algo, não há nada que possa impedi-lo.

O leproso do texto bíblico de hoje estava plenamente convencido disso. Ao procurar Jesus, ele enfrentou todas as dificuldades próprias de alguém em sua si­tuação. Aproveitando a repulsa que todos sentiam de sua condição, ele abriu cami­nho entre a multidão que cercava Cristo.

O leproso não tinha dúvidas a respeito da identidade da pessoa diante da qual estava. Estava claro para ele que se tratava do Filho de Deus. Diferentemente de ou­tros personagens bíblicos, ele chamou Jesus de “Senhor”, ajoelhou-se para o adorar e se aproximou sem medo de contaminar Jesus com sua doença infecciosa.

Mesmo assim, permanecia um obstáculo em sua mente. Ele se perguntava: “Jesus tem poder para me curar, mas será que Ele quer?” No turbilhão de pensa­mentos, questionava-se: “Minha situação é terrível. Trago no corpo as marcas de minha condenação. Meu destino é morte física em breve, e morte eterna para sem­pre. Minha família não me quer, a sociedade me rejeita, todos me veem como lixo, aprendi que esta doença é um castigo divino… Será que Deus quer mesmo fazer alguma coisa por mim?” Então, com uma ponta de esperança, ele disse a Cristo: “Se o Senhor quiser, pode curar-me.” “Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero, fica limpo!”

Na Bíblia, a lepra é símbolo de pecado. Portanto, todos nós nascemos como leprosos espirituais. Essa condição terrível nos leva a acumular uma montanha de lixo pecaminoso na vida. Então, quando o desespero toma conta, dá vontade de ser diferente. Sabemos que Deus pode nos transformar, pois Ele tem feito isso na vida de muitos. Assim como o leproso, algumas pessoas não têm certeza de que Ele quer fazer isso. Entretanto, o eco das palavras cheias de amor de Jesus ao leproso alcança a todos: “Sim, Eu quero!”

Por isso, hoje, não tenha dúvida do amor de Deus e da vontade dele de fazer sua vida melhor. Aproxime-se com fé e diga, com humildade: “Pai, estou aqui. Cura-me! Eu sei queTu podes todas as coisas. Ofereço-te meu louvor, pois sei, que, em virtude de um amor descomunal, Tu queres me transformar. Então, faz a tua vontade em minha vida!”

Identidade secreta
2 de fevereiro

Olha, não digas nada a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para servir de testemunho ao povo. Marcos 1:44, ARA

Como um simples par de óculos consegue impedir que as pessoas percebam que Clark Kent é o Superman? Coisas da ficção. Mesmo sem uma explicação satisfatória, o Superman se esconde atrás dos óculos do desajeitado Clark Kent para evitar que seus inimigos o atrapalhem na missão de salvar a Terra. Disfarçado, ele também pode se relacionar melhor com as pessoas, entender a condição humana e estar sempre disponível quando sua ajuda for necessária.

Deixando de lado a fantasia e falando de realidade, Jesus também teve um pen­samento semelhante, como revela o texto bíblico de hoje. Depois de curar o lepro­so, o Senhor pediu que o rapaz não dissesse nada a ninguém a respeito de quem o havia curado, mas que se mostrasse para o sacerdote a fim de que as pessoas pudessem glorificar a Deus.

Jesus entendia que, se as pessoas soubessem de seu poder, os inimigos tenta­riam desviar a atenção do povo em relação a Ele, ou mesmo silenciá-lo. Além disso, o propósito do Senhor não era chamar a atenção popular para as curas e milagres, mas destacar a mensagem de amor e salvação que viera ensinar. Então, a melhor coisa a fazer naquele momento era não divulgar para todos sua identidade.

Como discípulos de Jesus, hoje, somos chamados para transmitir o amor de Deus em todo o tempo e lugar. No entanto, temos que ser sábios e encontrar ma­neiras inteligentes para alcançar as pessoas. Por exemplo, pode ser que seu amigo não cristão rejeite um convite para ir à igreja, mas certamente ficará feliz se você o ajudar em uma tarefa difícil. Com essa atitude, você demonstrará o amor de Deus e começará a abrir o coração dele para o evangelho. Ser amigo e se interessar de ver­dade pelas necessidades de alguém é mais importante do que despejar um monte de palavras sem propósito sobre a Bíblia.

Lembre-se: usar estratégias missionárias não é negar a fé ou mesmo assumir comportamentos errados para agradar as pessoas. Nunca negocie seus princípios. Jesus sabia exatamente que era o Filho de Deus na Terra e agia como tal. É assim que devemos ser também. O que você come, veste, a música que ouve, as palavras que fala, tudo isso vai fazer pessoas quererem conhecer sua “identidade secreta” de filho de Deus. E assim, sem os “óculos”, você poderá falar com poder sobre Jesus.

Amigos
3 de fevereiro

Chegaram quatro homens carregando um paralítico numa esteira. Eles não podiam chegar até Jesus por causa da multidão, e por isso fizeram um buraco no teto por cima de onde estava Jesus, e fizeram descer o homem paralítico na esteira bem na frente dele. Marcos 2:3,4, Nova Bíblia Viva

“Amigo é coisa para se guardar […] dentro do coração.” O autor desses versos, Milton Nascimento, está certo. A amizade é um tesouro inestimável. É preciso valorizar os amigos, pois eles podem ser poderosos instrumentos de Deus para nos ajudar.

Os momentos mais difíceis da vida revelam os verdadeiros amigos. Balzac disse certa vez: “A infelicidade tem isto de bom: faz-nos conhecer os verdadeiros amigos.” Amigo não é só quem se alegra conosco, mas, principalmente, quem fica ao nosso lado quando ninguém mais fica.

Na infelicidade da paralisia, o personagem bíblico de hoje pôde conhecer, de fato, quem eram seus amigos. Os quatro homens, sabendo da presença de Jesus em Cafarnaum, aceitaram o desafio de levá-lo até onde o Senhor estava. E não mediram esforços.

Ao chegar à casa em que Cristo estava pregando, perceberam que não seria fácil conseguir o que pretendiam. O local estava cheio e não havia a mínima possibilidade de entrarem com o homem deitado na maça. Não desistiram. Atenderam à sugestão do próprio paralítico, subiram ao telhado da casa e o puseram diante de Jesus.

É assim que os amigos verdadeiros se comportam. Estão presentes quando mais precisamos, ajudam-nos a fazer o que não conseguimos e nos colocam diante de pessoas que fazem por nós o que eles não podem fazer. Amigos de verdade reconhecem nossos defeitos, mas não os usam contra nós. Estão dispostos a nos ajudar a vencer nossas deficiências e se alegram com nossas conquistas.

Foi exatamente assim que os quatro amigos do paralítico se comportaram. Não desprezaram o amigo porque ele estava naquela terrível situação. Reconheciam, por outro lado, que a condição do homem precisava melhorar. Como não podiam fazer nada para isso, resolveram levá-lo aonde Jesus estava. Assim como o amigo, eles tiveram fé, e o milagre aconteceu.

Cultive amizades verdadeiras. Elas sempre vão ajudá-lo a crescer. Procure tam­bém ser um amigo fiel, e um dia alguém vai se lembrar de você ao ouvir o verso: “Amigo é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito.”

A cura da paralisia
4 de fevereiro

Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados. Marcos 2:5, ARA

Imagine se todos os dias você acordasse de manhã e sentisse sobre seu corpo um peso esmagador de uma tonelada. Nessa situação, é impossível levantar, an­dar, agir, trabalhar, etc. A pessoa fica presa à sua realidade paralisadora, plenamente consciente do que está vivendo, mas sem forças para reagir. Ela vê o dia passar e é tomada por pensamentos de angústia e desespero. Nada a pode distrair, pois sem­pre é assaltada por sua realidade aterrorizante.

A culpa faz exatamente isso na mente. Ela tem um efeito paralisante. Imprensa a vítima, oprimindo-a com sentimento de indignidade e autodepreciação. A vida per­de a cor, os projetos não podem ser levados à frente, pois o fantasma do passado sempre retorna, lembrando o culpado de que ele não merece ser feliz e prosperar, porque fez o que nunca deveria ter feito. Essa terrível sensação é acompanhada pela “certeza” de que o ato cometido não tem perdão. A vergonha e o medo to­mam conta da mente, e a pessoa, que poderia ter um futuro brilhante na vida, per­manece estagnada e afunda na areia movediça dos erros passados.

A situação é desesperadora. E muitos, para se ver livres das consequências emo­cionais de seu estado, aprofundam-se em seus erros e pecados. Como acreditam piamente que seu caso não tem solução, resolvem “desfrutar” prazeres ilícitos com o pouco tempo que lhes resta. Porém, quando a “ficha cai” de novo, a culpa enraíza-se ainda mais, causando terríveis estragos emocionais, que se refletem, muitas vezes, na saúde física da pessoa. Podem surgir doenças inexplicáveis e indisposições sem causa, e a vida vai sendo completamente afetada por esse mal-estar avassalador.

A cada cura de Jesus era possível entender seu poder e perceber a natureza das forças espirituais que oprimem os seres humanos. Além de paralisado pela doença, o personagem do texto de hoje também estava paralisado pela culpa.

Em todo o tempo e lugar, para pessoas arrependidas, Jesus repete o que disse ao paralítico naquele dia: “Filho, os teus pecados estão perdoados.” Isso serve para você também. Não permita que a culpa paralise sua vida. Ouça a voz de Jesus, rece­ba seu perdão, aprenda também a se perdoar e experimente a paz que só a graça de Cristo pode oferecer.

Águas profundas
5 de fevereiro

Vá para águas profundas e lance a rede. Lucas 5:4, A Mensagem

Novidades sobre celebridades. Autoajuda. Redes sociais. Fofoca. Manchetes sensacionalistas. Análises rasas. Pseudociência. Erros de linguagem. Gente que sabe quase nada sobre quase tudo. Isso é parte de um profundo retrato da superficialidade atual. Com a grande disponibilidade de informação na internet, muitos têm se contentado em “pescar” em águas rasas, abrindo mão dos tesouros que só a profundidade pode oferecer. E isso em todas as áreas da vida.

“Gosto mesmo é quando o pregador faz a gente morrer de rir na igreja”, diz a me­nina para a amiga, enquanto atualiza seu WhatsApp durante o culto, aproveitando o momento em que o pastor explica, com profundidade e clareza, uma importante pas­sagem da Bíblia. A superficialidade que a rapidez da vida atual impõe nega às pessoas o direito de entender assuntos essenciais com profundidade e impede que muita gen­te cresça na vida, prendendo grandes potenciais atrás dos muros da mediocridade.

O problema não é falta de tempo. É forte esta frase atribuída a John Piper: “Uma das maiores utilidades doTwitter e Facebook será provar no Último Dia que a falta de oração não era por falta de tempo.” Todos os dias, milhares de pessoas gastam horas e horas com as “novidades” da internet, atualizando-se com notícias sobre as postagens do dia dos famosos, impactando-se com manchetes sensacionalistas, emocionando-se com vídeos piegas no YouTube e respondendo às 500 mensagens dos 50 grupos do WhatsApp que participam. Esse é o retrato de uma vida profundamente rasa.

“Vá para águas mais profundas e lance a rede”, foi a ordem de Jesus. Pedro e seus amigos não haviam pescado nada a noite inteira porque concentraram sua ação em águas rasas. Contrariando sua lógica, resolveram obedecer ao Senhor e pescar em águas mais profundas. O resultado: pegaram tantos peixes que dois bar­cos quase não foram suficientes. A palavra de Jesus os direcionou à profundidade.

O que é raso pode parecer mais legal e mais simples, mas é só ilusão. “O que vem fácil vai fácil.” Esse ditado nunca foi tão atual. Por isso, decida hoje sair da super­ficialidade da vida. Aventure-se, com coragem e fé, pelos mares do conhecimento do amor de Deus. Não se contente com as rasas informações disponíveis e apro­funde-se em seus relacionamentos. Assim você não será uma pessoa medíocre. Na realidade, estará se preparando para “pescar” e “nadar” nas águas profundas do amor de Deus.

Elogios
6 de fevereiro

Ele ensinava nas sinagogas e era elogiado por todos. Lucas 4:15

“Você é um gênio!”, exclama o pai para um filho inflado, depois de uma boa nota em matemática. “Sua roupa está linda hoje, amiga!”, comenta uma menina, depois de curtir a foto no Facebook. “Sermão maravilhoso, pastor!”, cumpri­menta um irmão em lágrimas, para ouvir do líder a resposta corriqueira: “Louvado seja Deus!”

Qual pode ser o efeito dos elogios acima? É possível que o “gênio” tenha en­tendido assim o exagero do pai: “Nem precisa estudar muito, filho! Você conse­gue tudo com seu talento, certamente herdado de mim!” A “menina fashion do dia” pode ter traduzido da seguinte maneira o elogio: “Invejosa! Como assim, linda hoje? Ela não está valorizando minha roupa do momento, mas criticando meus looks anteriores.” O “novo Bullón” pode entender o louvor do irmão assim: “Glórias a mim! Minhas técnicas de oratória sempre funcionam!”

“Na verdade, o elogio em si não tem nada de errado. A gente é que não apren­deu a usá-lo do jeito certo. E a lambança é generalizada: disparamos elogios em casa, na escola e no trabalho sem pensar nas consequências. Os resultados de tanto paparico podem ser catastróficos. A curto prazo, o coitado que foi enaltecido pode ficar desconfortável, inseguro, ansioso”, orienta a jornalista Marisa Adán Gil.

Ellen White vai na mesma direção: “A lisonja tem sido o alimento com que se têm nu­trido muitos de nossos jovens; e os que têm elogiado e lisonjeado supõem que estavam fazendo o que é correto; mas fizeram o que é errado. Os elogios, a lisonja e a condescen­dência têm feito mais para conduzir preciosas almas a caminhos falsos, do que qualquer outra artimanha inventada por Satanás” (Fundamentos da Educação Cristã, p. 304).

No meio da multidão que estava elogiando Jesus, até poderia haver gente sin­cera, mas certamente a maioria estava mesmo interessada em milagres. O pior é que quem o estava elogiando não podia usar os qualificativos adequados simples­mente por não saber a verdadeira identidade do Senhor. O máximo que conse­guiam era um “mestre” quando o que ele merecia mesmo era “Deus”.

Ao elogiar as pessoas, procure ser sincero, valorize as qualidades e incentive as boas práticas. Quando receber elogios, não faça deles sua recompensa final. Procure sempre melhorar. Em relação a Jesus, elogio-o com palavras e ações. Reconheça-o Como Senhor e aja como servo.

Joia da base
7 de fevereiro

Jesus foi para a cidade de Nazaré, onde havia crescido. Lucas 4:16

Filho de mecânico, com 11 anos, Neymar foi morar próximo a Santos para treinar nas categorias de base do principal time da cidade. Enquanto não recebia sa­lários do clube, o menino e a família moravam em apenas um cômodo na casa da avó. Porém, à medida que se confirmava como “joia da base” (garotos com talento acima da média para o futebol), as coisas iam melhorando: aos 15 anos, Neymar passou a ganhar 10 mil reais; aos 16, 25 mil; e, aos 17, vieram os milhões por conta dos patrocínios. Em 25 de maio de 2013, foi oficializada sua transferência para o Barcelona. Os valores da transação, divulgados inicialmente, eram de 57 milhões de euros, mas, depois de algum tempo, a bomba explodiu: o dinheiro era bem mais alto, e o Santos não havia recebido tudo o que tinha direito. A “joia da base” não rendeu o que o time santista esperava.

Filho de carpinteiro, Jesus viveu em Nazaré sem ninguém praticamente per­ceber seu “talento” extraordinário. Quando cresceu, foi batizado no rio Jordão e iniciou seu ministério. Ele fez grandes milagres, e sua fama se espalhou. Os mora­dores de Nazaré souberam que as outras cidades consideravam Jesus o futuro rei de Israel. A pequena vila entrou em festa ao saber que a “joia da base” estava se dirigindo para lá. Se Ele havia feito tantos milagres por onde passara, demonstraria o ápice de seu poder em Nazaré. Depois de sua passagem por ali, nunca mais nin­guém perguntaria: “Po.de vir alguma coisa boa de Nazaré?”

A recepção foi calorosa, e Ele foi convidado para pregar na principal igreja do lugar. O prédio estava lotado, e a multidão em festa. Porém, as coisas não saíram como o esperado. As palavras do Mestre não foram nada elogiosas para a cidade. Em vez de promovê-los, denunciou pecados. Ele os descreveu como pobres, ca­tivos e cegos. A “joia da base” não rendeu nada do que os nazarenos esperavam.

Como o povo de Nazaré, muita gente tem perdido a oportunidade de “lucrar” com Jesus, a “pérola de grande preço”. Quando o Senhor nos confronta com nossos pecados, não quer nos humilhar. Ao diagnosticar nossa real condição, seu desejo é nos transformar.

Esse é o maior dos “lucros” da vida. Com esse “investimento” na nossa “carreira”, podemos nos tornar as novas “joias da base” do time do Céu. Ouça as orientações de Jesus e enriqueça o reino de Deus. Depois disso, compartilhe a salvação com os outros e encha sua coroa de estrelas.

Preconceito
8 de fevereiro

Ele não é o filho de José? Lucas 4:22

A revista Superinteressante divulgou uma pesquisa da Universidade de Milão que pretendeu medir os níveis de empatia de seres humanos em relação à dor de outras pessoas. Noventa voluntários foram expostos a imagens em que outras pessoas eram feridas. Segundo os cientistas, quando alguém se machuca, o cére­bro reage como se a dor fosse nossa. Entretanto, o grau disso depende do nível de empatia que temos com a pessoa ferida. De acordo com a pesquisa, os brancos mostravam níveis mais baixos de empatia quando quem sentia a dor era negro.

O preconceito racial é terrível, mas, infelizmente, não é o único. Gordos, magros, feios, bonitos, pobres, ricos, estrangeiros compõem a lista interminável de vítimas. Preconceito é uma ideia preconcebida revelada em uma atitude discriminatória em relação a pessoas, crenças, sentimentos e comportamentos. “A prova devia estar bem fácil, porque até ele (um negro) conseguiu tirar uma nota boa!” “Esse gordo é um peso em nossa vida!” “Se não fossem os pobres, nossa cidade seria mais limpa.” “Por que esse povo não fica no próprio país?” Essas são apenas algumas frases que reproduzem o preconceito que está nas entranhas da sociedade.

Às vezes, o preconceito pode ser sutil, como na ocasião em que a porta giratória do banco “coincidentemente” trava na vez de um negro ou quando um obeso qualificado profissionalmente perde a vaga de emprego para alguém com menos quilos e menos talento. Pode também se revelar de forma bem evidente e violenta, como a torcida adversária que imita macacos para desequilibrar o jogador negro ou no caso da garota obesa, que no intervalo das aulas, “escolhe” ficar na sala para não ser “homenageada” por gente perversa, que não consegue medir o peso absurdo das injúrias que lançam nos ombros da menina.

Jesus não passou em branco como vítima do preconceito. Quando se tornou adulto e famoso, seus conterrâneos nazarenos perguntaram sobre ele: “Por acaso, Ele não é o filho do carpinteiro? […] De onde é que Ele consegue tudo isso?” (Mateus 13:55, 56). Quer saber o resultado desse preconceito ridículo? “Jesus não pôde fazer muitos mi­lagres ali porque eles não tinham fé” (Mateus 13:58). O preconceito é terrível e tem o potencial de fechar portas e limitar possibilidades. Cuidado, pois ele pode estar impe­dindo você de enxergar a beleza da vida. Permita que hoje Deus abra seus olhos para que você enxergue as pessoas com respeito e amor, exatamente como Ele faz.

Nota de 500
9 de fevereiro

Quando ouviram isso, todos os que estavam na sinagoga ficaram com muita raiva. Lucas 4:28

“Tem um presente para vocês!”, dizia um eufórico palestrante para o auditório. “É dinheiro! Quem quer dinheiro?”, ele imitava o Sílvio Santos. As pessoas já estavam ansiosas pelo clima de expectativa criado. “Ofereço para vocês várias notas de 500 reais! Quem quer?” Decepção geral. Ninguém queria aquele presente.

No entanto, muita gente por aí tem preferido a grotesca falsificação de Jesus oferecida para saciar vontades egoístas. Líderes religiosos moldam o Senhor à pró­pria imagem e semelhança. O resultado é um Jesus tão falsificado quanto uma nota de 500 reais. Curandeiro, financista, egocêntrico, o Jesus popular atende à expecta­tiva de gente que não quer compromisso com a verdade, mas deseja apenas saciar os desejos do coração não regenerado.

Infelizmente, muitas pessoas preferem um Jesus falso ao verdadeiro. A denúncia de nossos pecados que o Cristo da Bíblia faz afasta muitos do caminho certo por não quererem encarar a realidade.

“Cristo vai encher você de prosperidade, vai curar todas as suas doenças e so­lucionar todos os seus problemas” é a conversa “para boi dormir” de muito líder espiritual por aí.

A fala do Jesus verdadeiro, porém, vai em outra direção: “Filho, filha, Eu amo você! Meu amor, entretanto, não é cego. Seus pecados estão bem claros diante de mim. Vejo seu orgulho, falsidade, egoísmo, inveja e toda a maldade de seu coração. Morri na cruz para que você tenha condição de vencer o pecado e se parecer cada dia mais comigo. Não se desespere. Eu estou aqui para ajudar você a vencer.”

O Jesus verdadeiro não atendia às expectativas dos nazarenos. Eles desejavam alguém que fosse a projeção de suas expectativas megalomaníacas e que satis­fizesse o egoísmo de seus desejos. Preferiam a utopia falaciosa da “nota de 500 reais” à verdade crua de que eram de fato pobres espiritualmente e precisavam da riqueza da salvação.

Qual é o Jesus que você segue? O verdadeiro, com sua confrontação de nosso pecado e o recado de esperança? Ou o falsificado, que o adula e esconde sua con­dição, condenando-o à perdição eterna?

Falta
10 de fevereiro

Durante a festa o vinho acabou, e a mãe de Jesus veio a Ele e disse: “Eles não têm mais vinho”. João 2:3, A Nova Bíblia Viva

Nos tempos de Jesus, a festa de casamento podia durar até uma semana. Du­rante esse período, era responsabilidade do noivo providenciar comida e be­bida para todos os convidados. A falta desses itens era considerada um vexame, e a família da noiva podia, inclusive, processar o noivo. O puro suco da uva era o artigo mais importante. Se ele acabasse antes do tempo, o noivo estaria realmente encrencado. Então, a mãe de Jesus recorreu ao filho: “Eles não têm mais vinho.” Pelo visto, o noivo não havia se planejado adequadamente.

Na festa da vida, precisamos nos programar para que o essencial nunca falte. Por exemplo, para quem quer ir bem no vestibular, não podem faltar disciplina e estudo; para quem quer ter boa saúde, não podem faltar alimentação equilibrada e exercício fí­sico; para quem quer viver eternamente, Jesus jamais pode faltar no centro da existência.

Por isso, é importante estar sempre atento ao estoque de ingredientes na “dis­pensa” do coração. Não entre na onda do “deixe a vida me levar, vida leva eu”. Diferentemente do noivo, é preciso planejar para que nunca falte o que é essencial.

Naquele casamento, estava sobrando gente e faltando vinho. O pior é que, nes­sa conta, há uma relação inversamente proporcional, ou seja, quanto mais gente, menos vinho. E na sua vida? O que está sobrando e faltando? Estão sobrando desa­fios, medos, problemas e dificuldades? Se a resposta for sim, é preciso ajustar essa conta. Quanto menos houver de Jesus, mais problemas haverá.

Faça uma autoanálise. No início de seu dia, sobram sono e atraso e faltam tem­po de qualidade para dar a Jesus o controle de seu ser? Na escola ou no trabalho, sobram preguiça e desânimo e faltam diligência e perseverança? No relacionamen­to com os pais, faltam compreensão, cortesia e respeito e sobram rebeldia, palavras ríspidas e desrespeito? Se for assim, essa conta não vai fechar. O resultado será um enorme acúmulo de problemas e vergonha.

Na história de hoje, o que salvou o noivo foi a presença de Jesus na festa. Com você, não será diferente. Avalie sua vida. Se o vinho da salvação estiver faltando, e com ele tudo o mais que é importante, clame a Jesus. Por mais que você não tenha, até aqui, calculado a importância de tê-lo no cento de sua “festa”, ele não desprezará seu pedido de socorro e transformará sua falta de tudo em extravagância de amor e vida eterna.

Mãe ou filha?
11 de fevereiro

Mas Jesus lhe disse: Mulher, que tenho Eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. João 2:4, ARA

“Pai, vou colocá-lo de castigo! Você tem sido muito desobediente. Pedi um tênis novo, e você não comprou. Mãe, sua situação não é diferente. Levanto da cama todos os dias, e nada de você arrumar a bagunça. Estou perdendo a pa­ciência!” É engraçado, mas muita gente tem tratado o Pai do Céu mais ou menos assim. E isso não é novo.

No casamento em Caná, Maria quis, como mãe, determinar o que Cristo deveria fazer em relação à falta de vinho. Para ela, a festa era a oportunidade de Jesus ser apresentado ao povo como o futuro rei de Israel de modo glorioso. Tentou contro­lar o ministério do filho. Jesus não permitiu.

Nos tempos bíblicos, o papel de mãe era a única posição de autoridade que uma mulher exercia em relação a um homem. No casamento, Maria falou com Jesus como “mãe”, mas foi tratada por ele como “mulher”. Com muito respeito, Jesus deixou claro que, embora ela fosse sua mãe, no que se referia a seu ministério, ela era uma filha, como qualquer outra mulher. Maria entendeu a lição.

E nós, como temos agido em relação a Jesus? É Ele quem realmente determi­na o que vai acontecer em nossa vida, ou achamos que podemos comandar essa relação? Nossas orações são pedidos de filhos dependentes ou são ordens intran­sigentes de “pais” e “mães” para Deus como se Ele fosse nosso “filho”? Há gente por aí ensinando que, na oração, é preciso “determinar” para Deus, como se o Senhor fosse nosso subordinado. Não é por aí. Ao orarmos, devemos, com humildade e fé, suplicar que a bondosa vontade de Deus seja feita, e não a nossa.

A história de hoje também me faz pensar que, na relação entre pais e filhos, deve haver respeito mútuo. Entretanto, o senso de subordinação e obediência dos filhos em relação aos pais não é algo que se possa negociar. Quando os princípios da Pala­vra de Deus não estiverem em jogo, é dever dos filhos obedecer aos pais com todo respeito e amor. Jesus não teria nenhuma dificuldade em obedecer à sua mãe na­quela festa se ela não estivesse tentando interferir na relação dele com o Pai celestial.

Jesus é o Pai, e nós somos os filhos. É Ele quem sempre sabe o que é melhor para nós. Por isso, devemos confiar que, se a vontade dele prevalecer, nós sempre seremos beneficiados.

Aperte o cinto
12 de fevereiro

Todavia, a mãe disse aos empregados: “Façam tudo o que Ele disser a vocês”. João 2:5, Nova Bíblia Viva

É sempre o mesmo frio na barriga, e as orientações da tripulação aumentam minha angústia. Como assim: “Em caso de pouso na água, o assento do seu banco é flutuante?”

Essas importantes recomendações, em geral, são terminadas com a seguinte frase: “Em uma emergência, siga irrestritamente as orientações desta tripulação.” Quando ocorre alguma crise no voo, como turbulência muito forte, despressuri­zação na cabine ou pouso forçado, praticar o que a tripulação orienta pode evitar, inclusive, a perda da vida.

Mesmo em situações corriqueiras, é essencial seguir as regras. Dias atrás, eu soube de uma passageira que, quase no fim do voo, resolveu fazer uma coisa muito perigosa. O avião estava descendo, e ela levantou. O comissário-chefe do voo ordenou fortemente: “Sente-se agora!” Como o comando foi bem enfático, ela obedeceu. Em seguida, o avião pousou com a habitual freada brusca de uma aterrissagem. Com cortesia, o comissário explicou para a passageira que o pouso interromperia a inércia, e que, por conta disso, sem o cinto de segurança, o corpo dela seria lançado metros à frente, causando um grave acidente dentro da aeronave. Não há dúvidas: é preciso seguir sempre todas as regras.

Em nosso voo para o Céu, não é diferente. Cristo é o piloto do avião. Ele mesmo dá as instruções sobre nosso procedimento nessa viagem por meio da Bíblia, que é o imprescindível manual de bordo. Suas leis e orientações não são caprichos para tirar nossa alegria. Ao contrário, as proibições do livro sagrado visam sempre ao nosso bem. Se seguidas, evitam a perda da vida eterna.

Em Caná, Maria disse aos servos uma frase de profundo significado espiritual: “Façam tudo o que Ele [Jesus] disser a vocês.” Embora fosse a mãe do Senhor, ela entendeu que só o que Cristo diz pode resultar em verdadeira alegria e salvação.

Muita gente questiona os mandamentos de Deus. “O que é que tem experimen­tar? Está todo mundo bebendo!” Ou: “Que mal há em manter relações sexuais ‘seguras’ no namoro? Isso é uma coisa normal…” A regra é clara. Deus disse não. Isso é suficiente.

As orientações da Bíblia têm o propósito de nos proteger das tragédias da vida. Se você segui-las de todo o coração, seu avião vai pousar no aeroporto do Céu. Então, aperte o cinto e voe tranquilo. O piloto Jesus está no comando.

O melhor vinho
13 de fevereiro

Mas o senhor guardou o melhor para o fim. João 2:10, Nova Bíblia Viva

O primeiro milagre de Jesus em seu ministério terrestre foi em um casamento. Pelo poder de sua palavra, cerca de 480 litros de água foram transformados em 480 litros do melhor vinho que alguém já tomou. O mestre de cerimônias ficou muito impressionado com o que imaginava ser uma escolha do noivo. “Geralmente os noivos dão uma de espertos. Compram um bom vinho em quantidade menor e o servem primeiro. Depois que o pessoal bebeu bastante, eles mandam os garçons servirem o baratinho. Porém, você fez incrivelmente diferente”, surpreendeu-se o cerimonialista.

Nós sabemos que não foi bem assim. O coitado do noivo estava desesperado e foi surpreendido com um extraordinário presente da graça de Deus. É possível que o vinho servido primeiro fosse considerado bom; mas, de acordo com a fala do especialista, não podia nem de longe ser comparado ao que foi servido depois. Isso permite concluir que, em relação ao vinho de Jesus, o melhor vinho que o noivo podia comprar parecia ser de quinta categoria.

É exatamente esse o resultado de qualquer comparação entre o que fazemos por nós mesmos e o que Deus faz em nós e por nosso intermédio. Nunca devemos nos esquecer de que “tudo o que é bom e perfeito vem de Deus” (Tiago 1:17, Nova Bíblia Viva). Nas lutas contra a tentação, nos relacionamentos, nos estudos, no traba­lho ou em qualquer área de nossa existência, não há verdadeiro sucesso sem Deus. Quando permitimos que Ele entre em cena, os milagres acontecem, e as pessoas notam a diferença.

Qualquer um que experimente o milagre da salvação se tornará para os outros um espetáculo de transformação. A pessoa não bebe, não fuma, não usa drogas, não é promíscua. Vivência uma felicidade que não pode ser medida. É claro que os problemas continuam existindo, mas a esperança que invade o coração torna a vida muito melhor.

Por isso, alegre-se com os milagres que Jesus tem feito por você e permita que as pessoas percebam a mudança em sua vida. Em vez de demonstrar tristeza por “não poder” fazer as coisas erradas que muitos fazem, revele sua felicidade em servir a Deus. Como o mestre de cerimônias da história de hoje, muita gente vai ficar impressionada com o extraordinário vinho que transborda na jarra de sua vida.

O nocaute de Deus
14 de fevereiro

Este milagre em Caná da Galileia foi o primeiro que Jesus realizou. Ele revelou a sua glória, e os seus discípulos creram nele. João 2:11, Nova Bíblia Viva

Rosto inchado, corpo no chão, sangue por todo o lado e o peso da humilhante derrota nas costas. Do outro lado, vibrando, em pé, punhos levantados e ovacionado por todos, está o vencedor, eletrizado pelo caminhão de adrenalina que a vitória inquestionável, rápida e trucidante deposita no organismo. Essa cena bizarra e patética é a caricatura do que significa o conceito de glória para o ser humano sem Deus.

As vitórias humanas comemoradas com mais intensidade, em geral, envolvem derrotas acachapantes de outras pessoas. Quem não se lembra do 7 x 1? A mais glo­riosa vitória do futebol alemão foi também a mais humilhante derrota da seleção brasileira. Para o ser humano, é antinatural compartilhar triunfos.

O que a Bíblia quer dizer, então, ao se referir à glória de Deus? O evangelho de João diz que Jesus “revelou a sua glória” na transformação da água em vinho em Caná. Como Deus manifesta a sua glória? Ao intervir na desastrosa falta de vinho no casamento, Jesus a estava demonstrando. O vinho que acabara significa as ten­tativas humanas para se salvar; sempre resultam em frustração. A água represen­ta a matéria-prima que Deus trabalha. Do mesmo modo que Ele não precisa de uva para produzir vinho, não necessita de obras humanas para produzir salvação. O vinho transformado simboliza as mudanças que Cristo faz em nossa vida. Em resumo, a glória de Deus tem que ver com a felicidade de seus filhos. A alegria dele só é plena quando nós vencemos também.

Ao manifestar sua glória em Caná, Cristo estava apontando para o ápice de sua glória: a cruz. Paradoxalmente, pendurado naqueles toscos pedaços de madeira, o Senhor encontrou o ponto mais alto de sua exaltação. Naquela tarde, Ele atraiu todos os olhares para si. O “octógono” do universo se curvou diante de sua sobe­rania. Com a aparência de um nocauteado, Ele nocauteou Satanás; desfigurado pelos açoites e cravado na cruz, Ele pisou a cabeça da serpente e conquistou sua mais extraordinária vitória. A glória dele é sempre compartilhada. Por isso, hoje Jesus nos convida a participar de sua glória e incentiva: Como Eu venci, vocês também vencerão.

Felicidade sem fim
15 de fevereiro

Felizes são os […]. Mateus 5:3, Nova Bíblia Viva

”Tristeza não tem fim, felicidade sim.” Esse é o refrão da poesia “A Felicidade”, de Vinícius de Moraes e Tom Jobim. A famosa melodia expressa o senti­mento de grande parte das pessoas. O motivo? Muita gente não sabe o que é feli­cidade e, por isso, não pode vivenciá-la plenamente.

A eterna busca humana pela felicidade tem sido traduzida atualmente por uma desenfreada escalada por prazer. Milhares de pessoas todos os dias recorrem a alguma fonte ilícita de prazer que as faça romper com a realidade aterrorizante da vida moderna.

O carnaval é o exemplo máximo disso. O país gasta milhões de reais sob a jus­tificativa de que o povo precisa de “alegria”. Nessa época, as ruas, a TV e a internet estão infestadas de gente “feliz” dando vazão aos desejos da carne. Porém, à caça de felicidade, essas pessoas encontram seu perfeito oposto. No fim das contas, o que fica é uma tristeza desiludida. Tom e Vinícius reconhecem isso no poema que inicia este texto: “A felicidade […] parece a grande ilusão do carnaval. A gente traba­lha o ano inteiro por um momento de sonho, pra fazer a fantasia de rei ou de pirata ou jardineira, e tudo se acabar na quarta-feira.”

Entretanto, a felicidade que Jesus oferece não termina “na quarta-feira”. Ela é eterna e pode ser conseguida de graça. Na Bíblia, felicidade é o resultado de três fatores combinados: prazer, realização e sentido para a vida.

Como toda pessoa, o cristão precisa sentir prazer. De acordo com o Salmo 1, podemos saciar nossa sede de prazer, estudando a Bíblia e praticando seus ensinos. Nas Escrituras, também descobrimos como nos relacionar com os prazeres lícitos.

O Salmo 1 também ensina que a realização da vida pode ser alcançada medi­tando na Bíblia de dia e de noite. Pensando continuamente na Palavra, entendemos o propósito para nossas ações e descobrimos o segredo para vencer a tentação.

Em Deus, encontramos também significado para a existência. Sabemos de onde viemos, o que estamos fazendo aqui e para onde vamos. Como a árvore do Salmo 1, estamos enraizados no solo da graça de Deus.

A felicidade não é uma ilusão. Ela é real, pois sua fonte é Deus. Por isso, o cristão pode discordar de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, cantando o hino que empresta o título para esta meditação: “Eu tenho, tu podes ter também, real felicidade […] sem fim.”

Narciso
16 de fevereiro

Felizes são os humildes, porque o Reino dos Céus é dado a eles. Mateus 5:3, Nova Bíblia Viva

Narciso era muito bonito. Quando nasceu, seus pais, Céfiso e Liríope, consulta­ram um oráculo a respeito do filho. A resposta foi: “Ele terá vida longa desde que nunca veja o próprio rosto.” Narciso cresceu e se tornou um rapaz muito orgu­lhoso. Ele desprezava as pessoas. Némesis, então, o condenou a apaixonar-se pelo próprio reflexo na lagoa de Eco. Enfeitiçado com a própria beleza, Narciso perdeu a vida, vidrado na imagem de seu rosto.

Esse conhecido mito grego traduz a paixão do coração pecaminoso por si mes­mo. Do nome do personagem central da história, derivou-se um dos mais recorren­tes estados de espírito entre os seres humanos: o narcisismo. A palavra Narciso vem do termo grego narke, do qual se origina a expressão “narcótico”. O orgulho é uma droga, e muitos estão viciados em si mesmos.

Satanás tem enganado a humanidade há 6 mil anos com a mentira de que a felicidade está dentro de cada um. Poderíamos parafrasear assim o trágico diálogo que envenenou a primeira mulher com o narcisismo: “Se você quer ser feliz, coma do fruto da árvore que Deus proibiu. Faça o que quiser, você é o seu Deus.”

Em busca de felicidade em si mesmo, o ser humano encontra um poço sem fundo, no qual se entorpece e, finalmente, perde a vida eterna. Essa felicidade men­tirosa se parece com uma miragem no deserto. Iludida por seu desejo, a pessoa acredita que, com doses cada vez maiores de narcisismo e amor-próprio, poderá ser feliz; mas, ao tentar agarrar a felicidade, percebe que ela é uma espécie de holograma que se projeta sempre para frente.

Em seu ensino no sermão do monte, Jesus localiza a felicidade fora do ser hu­mano. “Felizes são os humildes”, ou seja, aqueles que não buscam a felicidade em si, mas em Deus. Humildade é reconhecer que não somos o último biscoito do pacote e que dependemos de Deus e dos outros para sermos felizes.

Narciso, “drogado” com a própria imagem refletida na fonte de Eco, encontrou o eco da morte que reinava em seu orgulhoso coração. Contudo, quem vai à fonte que “jorra para a vida eterna” não verá o próprio reflexo, mas o de Jesus. Se conti­nuarmos olhando para Ele, sua imagem passará a ser a nossa e, ao invés da morte, encontraremos a vida. Para isso, vá à fonte hoje e contemple a beleza de Jesus.

Choro
17 de fevereiro

Felizes são os que choram, porque serão consolados. Mateus 5:4, A Nova Bíblia Viva

“Eu choro, tu choras, ele chora, nós choramos, vós chorais, eles choram.” O verbo chorar não é defectivo. Portanto, é possível conjugá-lo em todas as pessoas do discurso, como se vê acima. Isso ajuda a desmentir afirmações preconceituosas do tipo: “homem não chora” ou “choro é coisa de criança”. O choro é uma linguagem humana universal. É uma das maneiras mais fortes de expressar sentimentos, tanto de alegria quanto de tristeza. E isso desde a infância.

Como ainda não sabe falar, o bebê chora para deixar claras suas necessidades de comida e conforto. Depois do surgimento da fala, o choro fica restrito às manifestações mais intensas de emoção; mas, como qualquer outra linguagem, pode ser manipula­do, dependendo do grau “artístico” de cada um. Pirraçar, chamar atenção e fazer-se de vítima são alguns dos motivos para o chororô, tanto na infância quanto na fase adulta.

Na realidade, essas gotinhas salgadas de gordura e água que escorrem em nossa face têm sido traduzidas pela humanidade ao longo dos séculos como sinônimo de sofrimen­to. E é esse tipo de choro que Jesus coloca como uma das bases para a felicidade. Paradoxo!

Como alguém pode ser feliz, enquanto inocentes sofrem, pais perdem seus filhos, filhos ficam órfãos, crianças morrem de câncer e guerras dizimam cidades inteiras? E a lista é maior do que nosso estômago pode aguentar. O que Jesus queria dizer?

Para o Senhor, os felizes de verdade estão completamente insatisfeitos com a maldade e, por isso, clamam por um mundo melhor. Esses “revoltados”, que choram e gemem por conta da perversidade atual, estão se preparando para ser os cida­dãos do reino de Deus (ver Ezequiel 9:4). Por isso são felizes.

É preciso deixar claro que Jesus não está falando de masoquismo, mas de uma felicidade fundamentada em esperança, inclusive para as vítimas diretas do mal. “Abençoados são vocês que sofrem por terem perdido o que mais amavam. Só assim, poderão ser abraçados por aquele que é a fonte de toda alegria” (Mateus 5:4, A Men­sagem). Na dor da separação dos pais, na perda de um ente querido ou em qualquer outra situação difícil, Deus tem um abraço confortador, cheio de amor e consolo.

Se o choro está inundando sua vida, corra para aquele que, em breve, “enxugará dos olhos toda a lágrima” e quer levar você para um lugar em que “a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passa­ram” (Apocalipse 21:4, ARA).

Mansidão
18 de fevereiro

Felizes são os mansos porque receberão a Terra por herança. Mateus 5:5, Nova Bíblia Viva

A agressividade é aplaudida e desejada por muitos, em virtude de ser conside­rada causa de vitória e conquista. Expressões como “partir para cima”, “não dar mole”, “detonar”, entre outras, ajudam a identificar o alto índice de agressividade da sociedade contemporânea.

No futebol, alguns jogadores têm legiões de fãs porque assumem uma perso­nalidade bad boy. Milhares de pessoas admiram o jeito marrento, as palavras ácidas de certos atletas e suas brigas dentro e fora de campo.

Sem falar que combates como MMA estão na crista da onda. Multidões vibram com golpes certeiros, com o sangue no chão e com rostos desfigurados. Tudo isso porque as pessoas projetam sua vontade de vencer e conquistar na agressividade desses gladiadores modernos.

No mundo virtual, jogos eletrônicos cada vez mais violentos e realistas incentivam a agressividade e envenenam crianças e adolescentes com o vírus da maldade. De acor­do com pesquisas na área da psicologia, a violência nos games é pior do que as que são vistas em outras mídias, porque, jogando, o indivíduo se torna agente e parte de um cenário de maldade. Cientistas reconhecem que os games podem ser a causa de mui­tos comportamentos violentos dos quais a sociedade tem sido vítima. Mesmo assim, a agressividade continua na moda e é encarada como virtude por muitos.

Na contramão, Jesus apresentou a mansidão como um dos componentes da felicidade plena. Para Cristo, o ser humano não deve ser agressivo, mas manso; não deve ser o conquistador, mas o conquistado; não deve lutar, mas confiar. É óbvio que esse ensino não desqualifica virtudes como prudência e diligência, mas relem­bra o ser humano de que ele deve ser dependente de Deus para tudo.

A palavra “herança” chama a atenção no fim dessa bem-aventurança so­bre mansidão. Herança não é algo pelo qual se lute, mas é aquilo que se recebe com uma única condição: ser filho. Em breve, nosso planeta será restaurado por Deus e passará a ser um lugar maravilhoso para se viver, pois não haverá mais vio­lência e agressividade. Sabe quem vai herdar a Terra renovada? Aqueles que foram conquistados por Jesus e se tornaram filhos de Deus. Hoje Deus quer colocar você no “testamento” dele. Torne-se herdeiro de Jesus e evidencie isso agindo com man­sidão e cortesia.

Fome e sede
19 de fevereiro

Felizes são os que têm fome e sede de justiça, porque serão satisfeitos. Mateus 5:6, Nova Bíblia Viva

Segundo pesquisas científicas, o dito popular “cara feia pra mim é fome” tem fun­damento, pois muitas pessoas, de fato, ficam estressadas se passam da hora de co­mer. Sem comida, ocorrem flutuações nos níveis de serotonina, substância responsá­vel pelo humor no cérebro, e a cara fechada faz mais “barulho” que o ronco da barriga.

Beber água na quantidade certa, além de melhorar o humor, ajuda a emagrecer, mantém a pele, os cabelos e as unhas bonitos, evita inchaços e retenção de líquidos e previne problemas nos rins. O contrário é verdade. Boca seca e uma sensação angustiante que só aumenta com o passar do tempo levam a pessoa a querer, a qualquer custo, saciar a sede. Dores de cabeça e em outras partes do corpo e urina amarelada resultam da falta de água no organismo.

Comer e beber são as necessidades mais básicas da humanidade. Para nos lem­brar disso, Deus criou a fome e a sede como mecanismos automáticos no corpo humano. Se, por algum motivo, tentamos driblar esses alertas, eles se intensificam, e outros avisos mais fortes são emitidos, como o mau humor e dor de cabeça. Como “saco vazio não para em pé”, depois de três dias sem comer e beber água, os ór­gãos do corpo entram em falência, e a pessoa pode morrer. Por isso, Jesus usa a fome e a sede para representar o desejo que deve haver em nosso coração pela imprescindível justiça de Deus, sem a qual todo ser humano, mesmo sem saber, está condenado à morte eterna.

Vivemos em um tempo em que as pessoas estão sedentas pelo pecado. Sensu­alidade, agressividade, ganância, gula e outros vícios compõem o cardápio da impiedade atual. Insaciáveis, os seres humanos querem sempre doses maiores dessas “iguarias” em busca de satisfazer a fome e a sede da alma.

No entanto, Jesus ensinou que só podemos ser felizes se o nosso paladar espi­ritual nos indicar a justiça de Deus como alimento e bebida para o coração; não as falsificações humanas, que só produzem frustração, mas a “comida” e a “bebida” do Céu, a carne e o sangue de Jesus, que resultam em salvação.

Se você está faminto e sedento, lembre-se de que no “restaurante” do Senhor, a “porção é dobrada” e o “cálice transborda”. Tudo isso, Ele serve de graça. Então, sente-se à mesa e bom apetite!

À luz da misericórdia
20 de fevereiro

Felizes os que são misericordiosos, porque Deus mostrará a eles a sua misericórdia. Mateus 5:7, Nova Bíblia Viva

Durante nove meses, o filho suga literalmente tudo o que o há de melhor do corpo da mãe. Todas as substâncias necessárias à manutenção da vida huma­na são produzidas em escala maior durante a gestação, porque o feto não pode ficar sem alimento. Como se não fosse suficiente expandir o abdômen da mãe, o bebê em gestação promove uma verdadeira revolução no corpo feminino. Ao sair, deslo­ca órgãos e articulações da mulher, causa fortes dores e, em geral, deixa marcas no corpo e na alma. O mais bonito é que depois desse trabalho todo, em via de regra, as mães esquecem tudo o que passaram e se alegram profundamente com o filho nos braços. Gerar uma criança significa doar-se para que outra vida possa existir.

E o que isso tem que ver com o versículo de hoje? Misericórdia é tradução da palavra hebraica rachamain, que deriva de rechem, cujo significado é gravidez. Em­bora o Novo Testamento tenha sido escrito na língua grega, Jesus e seus discípulos estavam imersos na cultura hebraica, para a qual o conceito de misericórdia estava relacionado com o ato de uma mulher entregar seu corpo para gerar uma criança.

Na prática, isso significa que, ao agirmos com misericórdia, estamos ajudando a produzir vida para alguém. Misericórdia é ser bondoso para pessoas que não me­recem, não têm como retribuir nem esperam nossa compaixão. Na raiz latina, mise­ricórdia é junção de duas palavras: miseratio (compaixão) e cordis (coração). Ou seja, é se colocar, em amor, no lugar do outro. É um sentimento que parte do coração e vai para a ação. Os misericordiosos não amam da boca para fora, mas de coração para coração. Por isso, estão dispostos a deixar de curtir alguma coisa boa para que outra pessoa fique bem e feliz.

Quando compartilhamos comida, roupa, remédio, amor, atenção e salvação, tudo isso com alegria, estamos demonstrando que a misericórdia de Deus inundou nossa vida.

Ser misericordioso é como dar à luz. Certamente existem pessoas à sua volta que estão vivendo alguma situação de trevas na vida. Seja hoje um agente de Deus para gerar vida para essa pessoa. Sabe o que vai acontecer? Deus também vai gerar vida para você.

Coração puro
21 de fevereiro

Felizes os que têm um coração puro, porque verão a Deus. Mateus 5:8, Nova Bíblia Viva

Glauco Mattoso é o nome com o qual o escritor brasileiro Pedro José Ferreira da Silva assina suas obras. O pseudônimo é um trocadilho com o fato de ele ser glaucomatoso, ou seja, ter glaucoma, uma doença nos olhos que o deixou cego. O glaucoma promove uma forte pressão interna nos olhos e acaba danificando o nervo ótico. Em muitos casos, leva à cegueira definitiva.

No entanto, existem outras causas para que alguém fique cego. Catarata, des­locamento de retina e degeneração da mácula são algumas delas. Seja por que motivo for e em graus diferentes, 35,7 milhões de brasileiros declaram ter alguma deficiência na visão, de acordo com dados do IBGE. Segundo a pesquisa, 18,8 % dos entrevistados afirmaram que têm dificuldade para enxergar mesmo usando óculos.

A Bíblia apresenta a história de alguns cegos e a atuação de Deus para reverter essa condição na vida dessas pessoas. Nas Escrituras, a cegueira é uma metáfora para a condição do ser humano em pecado, que não pode enxergar a realidade da vida e, muito menos, ver a Deus.

No sermão do monte, Jesus ensinou que o “colírio” que cura a cegueira espiri­tual em nossa vida é a pureza de coração. O fato de não podermos ver a Deus pela fé e até mesmo fisicamente é uma forte evidência de que a imundície do pecado invadiu nosso coração e está impedindo nossos olhos espirituais de enxergar.

No pecado, as trevas do mundo nos atrapalham, enxergamos as situações sem­pre com segundas intenções e percebemos só o lado ruim da vida. “Glaucomatosos”, sofremos a pressão do mundo, que dia a dia vai tirando nossa visão de Deus.

Sentimos as cataratas de impiedade crescendo como muros nos olhos do cora­ção e nos separando do Pai. Deixamos de enxergar as belezas da vida cristã porque uma mancha escura da impureza escurece nossa visão espiritual.

Porém, o colírio está disponível para você (Apocalipse 3:18). Peça hoje que Jesus, o oftalmologista divino, perdoe seus pecados e purifique seu coração. Depois disso, abra os olhos e veja a face de Deus.

Paz
22 de fevereiro

Felizes aqueles que procuram promover a paz, pois serão chamados filhos de Deus. Mateus 5:9, Nova Bíblia Viva

O site de uma conhecida revista brasileira publicou, há pouco tempo, a carta que Gandhi escreveu para Adolf Hitler dias antes de estourar a Segunda Guerra Mun­dial. A carta nunca foi lida pelo Führer, pois foi interceptada pela inteligência britânica, mas ela revela a coragem, humildade e sinceridade de Gandhi ao tentar promover a paz:

Índia, 23 de julho de 1939

Querido amigo,

Amigos têm insistido que eu lhe escreva para o bem da humanidade. Eu, porém, tenho resistido ao pedido deles, pois sinto que qualquer carta escrita por mim seria uma impertinência. Algo me diz que não devo hesitar e devo tentar fazer meu apelo, pois tal&vez ele tenha alguma utilidade.

Está claro que hoje você é a única pessoa no mundo que pode evitar uma guerra capaz de reduzir a humanidade a seu estado mais selvagem. Devemos pagar esse preço por algo mais valioso que lhe pareça? Você vai ouvir o apelo de alguém que deliberadamente deixou de lado os métodos de guerra e obteve considerável sucesso? De qualquer forma, peço desculpas antecipadamente, caso tenha errado em escrever para você.

Permaneço seu amigo,

M. K. Gandhi

É muito provável que essa carta não produzisse o efeito pretendido pelo autor, devido à obstinação do líder alemão, mas é lindo ver alguém fazendo o que pode em nome da paz.

De acordo com Jesus, os pacificadores são filhos de Deus. Por quê? Porque Deus é um pacificador. Ao sermos agentes de paz em nossa esfera de atuação, demons­tramos que temos o DNA de Jesus. Ao controlar nossa língua, respeitar as pessoas, ter paciência com o próximo e evitar conflitos desnecessários estamos agindo como filhos da paz. O mundo precisa de pessoas assim.

Como ocorreu com Gandhi, nem sempre nossas tentativas de pacificação terão o resultado pretendido. Porém, não podemos desistir. A “carta” de Deus chegou até nós e nos pacificou. É nosso dever, então, repassá-la aos outros.

Contramão
23 de fevereiro

Felizes aqueles que são perseguidos por serem justos, pois deles é o Reino dos Céus. Mateus 5: 10, Nova Bíblia Viva

O verso de um cantor brasileiro diz: “Amar é estacionar na contramão da vida e fazer questão de pagar a multa.” É mais ou menos assim na vida cristã. Os padrões de comportamento de hoje estão cada vez mais diferentes dos revelados na Bíblia. Isso significa que quem deseja viver de acordo com a vontade de Deus vai trafegar em alta velocidade na contramão da via expressa do mundo. Porém, quan­do o amor de Jesus preenche o coração, e a fé passa a motivar as atitudes, a pessoa entende que o único trajeto seguro para seguir é o que está revelado no GPS de Deus, ainda que isso a coloque em rota de colisão com as pessoas e os valores atuais.

Jesus ensina que existe felicidade real em ser perseguido por causa da justiça. Não se trata de gostar de sofrer, mas de decidir enfrentar qualquer desafio por cau­sa do amor de Deus e da esperança que Ele oferece.

A história do cristianismo está repleta de gente que “fez questão de pagar a multa” por ser obediente a Deus. Depois de ser preso e liberto milagrosamente da prisão, Pe­dro, sem medo, continuou pregando o evangelho. Os guardas o prenderam de novo e o levaram diante dos líderes, que repetiram a proibição de pregar. O apóstolo res­pondeu: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29, ARA). Anos depois, Paulo e Silas foram para a prisão também por pregarem o evangelho. Depois de serem açoitados e torturados, “por volta da meia-noite, […] oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam” (Atos 16:25, ARA).

Na Idade Média, Jerônimo foi um dos heróis da fé. Ellen White registra a cora­gem e fidelidade até a morte desse reformador: “Quando o carrasco, estando para acender a fogueira, passou por trás dele, o mártir exclamou: ‘Venha com ousadia para a frente; ponha fogo à minha vista. Se eu tivesse medo, não estaria aqui’” (O Grande Conflito, p. 115). Cheios de amor a Deus, convicção da verdade e felizes por poderem participar dos sofrimentos de Cristo, esses homens “pagaram a multa” que seguir a Jesus de verdade impõe.

É esse tipo de gente que Deus continua procurando. Pessoas dispostas a en­tregar tudo por Ele e que sintam alegria verdadeira em trafegar na contramão do mundo, na certeza de que estão nas mãos de Deus. Decida hoje seguir a rota divina, e não se preocupe com as “multas”. Eleja pagou todas elas.

Custe o que custar
24 de fevereiro

Felizes serão vocês quando forem maltratados, perseguidos e caluniados por serem meus seguidores! Fiquem muito contentes! Porque uma grandiosa recompensa espera vocês lá nos Céus. Mateus 5:11,12, Nova Bíblia Viva

“Água mole em pedra dura. Tanto bate até que fura.” Essa frase pode ser verdadeira em muitas situações; mas, ao longo dos séculos, centenas de cris­tãos têm desafiado o significado absoluto desse ditado popular e resistido à força da insistência, da dor e da opressão, mantendo-se leais a Jesus custe o que custar.

Em Graça Futura, de John Piper, encontrei um dos exemplos mais contundentes dessa realidade. Piper cita o que está relatado no livro Passion [Paixão], de Karl Olsson, no qual é narrada uma linda história de resistência contra a intolerância religiosa:

“No final do século 17 no sul da França, uma menina chamada Marie Durant foi levada perante as autoridades, acusada da heresia huguenote. Aos 14 anos de idade, era brilhan­te e atraente. Foi exigido que renegasse a fé huguenote. Não foi pedido a ela para come­ter um ato imoral, para se tornar uma criminosa, ou mesmo para alterar seu comporta­mento. Só precisava dizer: ‘J’abjure’ [renego]. Nem mais, nem menos. Ela não aceitou. Com outras 30 mulheres huguenotes, Marie foi colocada em uma torre à beira-mar. Por 38 anos, ela resistiu. E, em vez da odiosa palavra J’abjure’, ela, com suas companheiras de prisão, riscavam na parede da torre da prisão uma única palavra: ‘resistez’ [resistir]!

“Não entendemos a simplicidade assustadora de uma fé que não pede nada do tempo e não recebe nada do tempo. Não podemos entender como alguém pode sentar-se em uma sala de prisão e sentir a pele, dia a dia, enrugar, perder o tônus muscular e ver as juntas enrijecerem. Sentir tudo isso e ainda perseverar parece quase idiota para uma geração que não tem capacidade de esperar e suportar” (p. 165,166, adaptado).

Por que uma adolescente linda e inteligente como Marie Durant resolveu fazer o que muitos atualmente considerariam uma idiotice? Teria ela desperdiçado sua beleza e inteligência? A resposta é um contundente “não”. Ela sabia o que estava fazendo. Entre as alegrias passageiras desse mundo e a felicidade eterna reservada exclusivamente para os fiéis, Marie não teve dúvidas: Jesus é melhor!

É verdade que as provações não são fáceis, mas elas não podem ser compara­das com a glória que em nós será revelada. Por isso, se sua fé for posta em xeque, escolha Jesus. Custe o que custar.

Sal
25 de fevereiro

Vocês são o sal da Terra. Mateus 5:13, Nova Bíblia Viva

Você já parou para pensar por que chamamos a combinação de verduras e legumes de salada? Já se perguntou também por que o dinheiro que os traba­lhadores recebem no fim do mês recebe o nome de salário? A resposta está nas três primeiras letras. Para amenizar o sabor amargo de algumas hortaliças, os romanos resolveram acrescentar pitadas de sal a elas. O coadjuvante roubou a cena e aca­bou ficando com o nome do famoso prato. Por sua vez, o termo “salário” revela a importância que o sal sempre teve para as pessoas. O “dinheiro” que os legionários romanos recebiam para expandir o império eram quantidades de sal. A própria pa­lavra “soldado” mostra isso, pois significa “aquele que recebe o pagamento em sal”.

Desde os primórdios da humanidade, o cloreto de sódio desempenha um papel fundamental. Na cozinha, é responsável por conferir sabor aos alimentos. Embora seu uso deva ser moderado, o sal tem um componente essencial para vida: o sódio. Sem ele, o corpo não seria capaz de transportar nutrientes e oxigênio para os órgãos.

Além de seu valor nutricional e de sua capacidade de conferir sabor, o sal é re­conhecidamente um elemento de conservação. Tente imaginar as casas de antiga­mente que não tinham geladeira. Como os alimentos eram mantidos? Cedo, então, a humanidade descobriu que o sal em contado com os alimentos poderia resolver esse problema. A carne de sol, por exemplo, é resultado disso. A grande quantidade de sal adicionada a ela impede seu apodrecimento e ainda lhe acrescenta sabor.

Possivelmente, foi pensando em tudo isso que Jesus comparou a influência do cristão ao sal. Ele sabia que o mundo sem pessoas vivendo o evangelho seria extre­mamente amargo, pois faltaria paz, salvação e esperança. Como pitadas de sal no meio da amargura do mundo, os cristãos têm o dever de temperá-lo. Em tempos de apodrecimento moral, os cristãos devem ser para a sociedade o sal que conserva os princípios da Palavra de Deus, impedindo que a podridão consuma completamen­te a humanidade e tire a esperança de muitos de receber a salvação.

Por isso, ore hoje para que suas palavras e atitudes amenizem a amargura da vida de alguém e para que Deus use você como agente de conservação contra o apodrecimento da sociedade. Jesus conta com você para deixar o mundo mais saboroso e saudável.

Utilidade
26 de fevereiro

Se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para coisa alguma, a não ser para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. Mateus 5:13, Nova Bíblia Viva

O sal de cozinha é formado quimicamente por átomos de sódio e cloro. Sem um dos dois, ou se for acrescentada outra substância, os benefícios do sal não são obtidos. Além disso, em alguns casos, o resultado pode ser bem arriscado.

Há alguns anos, a polícia do estado do Paraná apreendeu um carregamento de mais 13 toneladas de sal contaminado com enxofre. Toda a carga foi descartada. O produto, além de não cumprir a finalidade do sal, tornou-se perigoso para o con­sumo humano.

Enquanto escrevo este texto, minha filha está se recuperando de uma sinusite, que a levou a ter febre de 39 graus por mais ou menos uma semana. No início da febre, eu e minha esposa a levamos ao hospital onde uma médica receitou um antibiótico para tratar a infecção. Compramos a marca indicada na receita e come­çamos o uso.

Porém, a febre não abaixava, e percebemos uma ligeira piora no quadro geral de nossa filha. Minha esposa ligou para o laboratório que produziu a medicação e relatou o ocorrido. A atendente disse que seu uso deveria ser suspenso, pois o remédio fazia parte de um lote com problemas.

Embora estivesse no prazo de validade, o produto apresentava sinais de enve­lhecimento e contaminação, o que resultou na perda de sua capacidade. Aquele medicamento não serviu para nada. Felizmente, não trouxe mais problemas para nossa filha. Iniciamos o tratamento com o de outra marca, e os resultados começa­ram a aparecer.

O cristão “contaminado” também não serve para nada. Com o pecado domi­nando a vida, “substâncias” como comodismo, isolamento, indiferença, imitação do mundo, mal testemunho, entre outras, tiram a capacidade de dar sabor ao mundo. Essa “contaminação” é muito perigosa. A pessoa “contaminada” evidencia distan­ciamento de Deus e, assim, não o comunica a ninguém. E o pior: o mal testemunho pode atrapalhar a chegada de outros ao reino do Céu.

Não permita que o pecado tire sua utilidade. Compartilhar amor, perdão e sal­vação e, ao mesmo tempo, condenar o pecado, apresentando a Cristo como solu­ção para este mundo perdido é a missão de sua vida. Jesus conta com você!

Lua cheia
27 de fevereiro

Vocês são a luz do mundo. Mateus 5:14, Nova Bíblia Viva

A Lua cheia é a fase mais brilhante do mais romântico dos astros. Nos períodos do ano em que a luz do Sol incide sobre toda a sua superfície, a Lua reflete esses raios e dá um banho de luz na Terra, inspirando poetas e casais apaixonados. Ela promove um espetáculo de luz e beleza no mundo. Mais importante do que isso, ao brilhar no céu, a Lua não permite que a escuridão tome conta do planeta.

De acordo com Jesus, os cristãos são a luz para a noite moral do mundo. A Lua é bom exemplo para entendermos como isso acontece. Ela não tem luz própria e depende do Sol para iluminar a Terra.

Do mesmo modo, nós dependemos de Jesus, o Sol da justiça, para aquecer e iluminar nossa vida. Com sua luz sobre nós, podemos refletir justiça e santidade para o mundo que perece em trevas de pecado.

O profeta Isaías deixou isso bem claro ao dizer: “Levante-se, meu povo! Que o seu rosto brilhe de alegria, porque chegou a luz! A glória está brilhando sobre você. A Terra está coberta de trevas: e os povos vivem na escuridão. Mas o senhor está sobre você, brilhante como o Sol; a sua glória se vê acima de você (Isaías 60:1, 2, Nova Bíblia Viva).

Na Bíblia, as trevas sempre têm o significado de pecado e depravação moral, e não resta dúvida de que o mundo está imerso em escuridão. Então, Deus nos “ins­talou” neste planeta como seus “luminares” para iluminar as pessoas e levá-las ao conhecimento da verdade. À medida que a escuridão fica mais densa, é fundamen­tal que a luz tenha força suficiente para não permitir que as trevas predominem. Por isso, é necessário que estejamos sempre expostos à fonte da luz.

Deus reflete seus raios sobre nós por meio das Escrituras. O salmista disse: “Lâm­pada para os meus pés é a tua palavra, e luz para os meus caminhos” (Salmo 119:105, ARA). Orientados pela Bíblia, podemos andar em segurança em meios às trevas de pecado que aterrorizam a noite do mundo. Ao mesmo tempo, podemos brilhar para Jesus ao revelar às pessoas, por meio de nossa vida, como são felizes aqueles que obedecem aos mandamentos de Deus.

Exponha-se sempre a Deus e permita que Ele ilumine sua vida. Reflita a glória de Jesus e seja um instrumento de salvação para aqueles que estão vagando pelas trevas desse mundo sombrio. Que a sua vida seja embalada no tom desta canção: “Senhor, eu quero brilhar por ti, quando o mundo se apagar.”

Eclipse lunar
28 de fevereiro

Ninguém acende uma lamparina e a coloca debaixo da vasilha. Pelo contrário, ela é colocada no lugar adequado e, desse modo, brilha para todos. Mateus 5:15, Nova Bíblia Viva

O eclipse lunar é um dos fenômenos astronômicos mais conhecidos. Ocorre quando a Lua cheia está em alinhamento com a Terra e o Sol; posicionada atrás da Terra, a Lua não pode refletir a luz solar. O eclipse lunar pode ser visto a olho nu, onde quer que esteja ocorrendo à noite. Quando acontece, a Lua perde sua capacidade de iluminar a noite, pois a Terra se interpõe entre a Lua e o Sol.

Em nossa missão de iluminar, não podemos deixar que o mundo eclipse nossa vida. É nosso dever influenciar as pessoas para Cristo e jamais devemos permitir que o contrário ocorra. Em nosso dia a dia, precisamos testemunhar com atitudes e palavras a respeito do que cremos e nunca negar ou adaptar nossa fé diante dos desafios que estão diante nós.

Os conceitos atuais sobre família, sexualidade, religião, sucesso, entre outros, são resultado das trevas que cobrem a Terra. No meio dessa escuridão, Deus espera que você seja aquecido com a vontade dele e não tenha vergonha de assumir sua posição ao lado da verdade. Não se intimide diante da propaganda perversa em favor da promiscuidade sexual, diante das chacotas contra a virgindade e o casa­mento, ou da rejeição do padrão de família revelado na Bíblia. Não seja eclipsado por essas trevas do mundo. Em casa, na escola ou em qualquer outro lugar, tenha coragem de viver contrariamente a essa escuridão moral.

O desejo de Deus é que cada um de seus filhos seja um foco de luz em meio às trevas da sociedade atual. Não devemos ter medo de parecer estranhos ou ultra­passados. Brilhar por Jesus significa viver conforme os princípios ensinados na Bíblia em qualquer situação; principalmente, quando a maioria das pessoas não reconhe­ce mais as Escrituras como padrão para a vida. É quando as trevas são mais densas que a luz se torna mais necessária.

Por isso, não se intimide diante dos desafios da vida cristã. Brilhe, brilhe por Jesus! O objetivo do inimigo é eclipsar você com as trevas do mundo. Para evitar que isso ocorra, deixe que o Sol da justiça resplandeça sobre sua vida. Ao refletir sua luz, você nunca será eclipsado. Você será como a Lua cheia na noite espiritual do mundo.

 

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