Pastor conta experiência de fé em prisão soviética

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Kiev, Ucrânia … [ASN] O editor da Adventist Mission, Andrew McChesney, tem perguntado a adventistas do sétimo dia ao redor do mundo como eles oram, leem a Bíblia e testemunham — os três ingredientes considerados essenciais para uma vida cristã dinâmica. Um deles é Nikolai Zhukalyuk, 84 anos, natural de Lviv, na Ucrânia, ex-presidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia, que dialogou com a Adventist Mission quando viajou para a capital da Ucrânia, Kiev, para uma visita do presidente da Igreja Adventista mundial, Ted Wilson, e outros líderes da igreja há alguns dias. O pastor falou da sua experiência que mostra o caminho de um homem levado de uma prisão soviética até um trem moderno. Zhukalyuk, hoje aposentado, está traduzindo a Bíblia em ucraniano contemporâneo.

Como você ora?

Eu tenho um momento especial de oração todas as manhãs e, à noite, com minha esposa de 64 anos. Eu também me ajoelho para orar antes de começar a traduzir a Bíblia todos os dias. Enquanto estou traduzindo, muitas vezes me volto para Deus quando as coisas não estão dando certo, e Ele intervém.

A Bíblia diz: “Orai sem cessar” (I Tessalonicenses 5:17). Isso significa que devemos ser pessoas que oram. Quando eu acordo de manhã, meu primeiro pensamento é agradecer a Deus por me despertar para um novo dia. Quando saio da cama, eu agradeço a Deus porque ainda posso mover minhas pernas. Ao sair de casa, digo: “Deus, por favor, vá comigo no meu caminho. Guarde-me de todo o mal”. Eu oro sobre o tráfego quando entro em meu carro. Normalmente, não há engarrafamentos, e eu imediatamente agradeço a Deus porque Ele ouviu minha oração.

Sempre agradeço a Deus quando vejo algo pelo qual ser grato. Sempre que vejo algo que não parece correto, eu oro por ajuda.

Algumas pessoas podem dizer que Deus não deve ser incomodado com coisas pequenas. Mas eu conto a Deus sobre tudo, porque Ele diz: “Eu estarei sempre com vocês” (Mateus 28:20).

Como você lê a Bíblia?

Eu leio muito a Bíblia nos dias de hoje, porque é meu trabalho. Mas sempre tentei mergulhar na Bíblia todas as manhãs. Se eu não tiver tempo suficiente de manhã, então leio a Bíblia à noite. Passar tempo na Palavra de Deus preenche minha mente com pensamentos de que eu preciso para o dia.

Eu compreendi a necessidade de ler a Bíblia diariamente quando fui preso por dois anos por conta das minhas crenças religiosas nos tempos soviéticos. Eu tinha 42 anos e não possuía uma Bíblia na prisão em Lviv. Compartilhei uma prisão com 35 presos e eles ficaram intrigados quando descobriram que eu era um pregador. Eles eram familiarizados com roubos e fraudes, mas não sabiam nada sobre o crime de fé. Esses bandidos e ladrões me pediram para lhes dizer algo da Bíblia. Eu concordei em duas condições: que ninguém fumasse ou amaldiçoasse enquanto eu falava. O aposento tinha de ser completamente silencioso. Todo mundo tinha que ouvir.

Quando a sala ficou quieta, eu comecei a contar a história da Criação. Falei todos os dias durante um mês. Eu contei histórias do Antigo Testamento de cor. Chegando ao Novo Testamento, falei sobre o nascimento de Jesus, Suas parábolas e Sua crucifixão. Terminei com a Nova Terra e como Jesus vai tirar toda a dor.

Esqueci partes da Bíblia. Mas eu estava feliz por ter lido a Bíblia todos os dias enquanto estava livre, porque muitos detalhes voltaram à minha mente enquanto eu falava.

Os prisioneiros, que tinham apelidos uns para os outros, me chamavam de “homem santo”.

Como você testemunha?

Ser cristão não é uma questão de pregar. Ser cristão é quando as pessoas olham para você e veem que você tem algo que o torna diferente. Então eles fazem perguntas, e você pode responder com entusiasmo porque sabe a resposta. Mas se ninguém lhe perguntar nada, então você não tem razão para falar. Procuro maneiras de conversar com as pessoas. Não acho que é certo começar uma conversa discutindo sobre o sábado ou a carne de porco. Em vez disso, quero que estranhos vejam que tenho algo de que eles precisam. Outro dia, embarquei em um trem em Lviv para uma viagem de uma noite para Kiev. Eu reservei uma cama em um compartimento de dormir de duas pessoas, e o outro passageiro na verdade era uma mulher. Quando nos conhecemos, eu disse a ela: “Vamos nos conhecer. Vamos viajar juntos por algumas horas. Você é de Lviv, ou estava em Lviv a negócios?”

A mulher disse: “Eu não sou de Lviv. Sou de Kiev, e estou indo para casa”.

Eu disse: “Eu sou de Lviv e estou viajando para Kiev”.

A mulher manteve a conversa. “Por que você está indo para Kiev?”, ela disse.

Eu disse a ela que sou um ex-líder da igreja e tenho muitos amigos ao redor do mundo. Quando meus amigos vêm para a Ucrânia, às vezes eles me convidam para encontrá-los em Kiev se não podem viajar para Lviv. Com essa descrição, dei uma breve biografia de minha vida.

Minhas palavras interessavam a mulher. Ela disse: “Sabe? Meu nome é Nadya. Que igreja você ajudou a liderar?”

Eu não lhe respondi imediatamente. Em vez disso, perguntei: “A que igreja você vai?”

“Eu não vou a nenhuma igreja, mas me considero ortodoxa”, disse ela.

A mulher disse que trabalha como psicóloga e é especializada no tratamento de pessoas traumatizadas pelo conflito no leste da Ucrânia.

Então ela disse: “Entendo que você não é um crente ortodoxo. Qual é a diferença entre sua igreja e a Igreja Ortodoxa?”.

Eu disse: “Os crentes ortodoxos adoram no domingo, e nós adoramos no sábado”.

“O que você quer dizer com ‘adoramos no sábado’?”

“Você precisa ler a Bíblia”, eu disse. “A lei de Deus está na Bíblia. Você já ouviu falar?”

“Sim, é claro que já ouvi.”

“Você já ouviu falar nos 10 mandamentos?”

“Sim. Não roube. Não mate.”

“Bem, o quarto mandamento fala sobre o sábado”, eu disse.

A conversa continuou por um longo tempo. Percebi que poderíamos conversar a noite toda, então eu finalmente sugeri que dormíssemos um pouco. A mulher ainda queria saber mais e perguntou se poderia encontrar algum de meus livros em livrarias de Kiev. Durante nossa conversa, eu tinha mencionado que sou autor de 15 livros. A mulher expressou desapontamento quando eu disse que os livros estavam esgotados. Então, eu prometi que lhe enviaria um livro se ela me desse suas informações de contato. Ela anotou seu endereço e número de telefone. Quando chegamos a Kiev na manhã seguinte, a mulher me apresentou a seu marido, que estava esperando na estação de trem. Ela ajudou a carregar minha bagagem na sala de espera na estação de trem e me disse para ligar para ela se ninguém chegasse para me pegar.

“Vamos cuidar de você”, disse ela.

Isso é testemunhar! Agora eu tenho uma nova alma que está interessada em aprender mais e vou continuar a conversar com ela. [Equipe Adventist Mission, Andrew McChesney]

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